quarta-feira, 27 de abril de 2011

Substratos


Substratos são basicamente aqueles que disponibilizam nutrientes as plantas. No caso da maioria das orquídeas (epífitas), estas podem não retirar nada dos substratos, e estes somente tem a função de sustentar o seu crescimento.
Os substratos para orquídeas devem obedecer pelo menos três requisitos básicos:
Aeração para as raízes, durabilidade boa e não pode ser tóxico.
Devido à obsessão do Homem em cultivar as orquídeas principalmente as epífitas em vasos, a corrida por substratos que possam de alguma maneira substituir a natureza, e adaptar-se satisfatoriamente neste cultivo, passou a ser uma missão muito árdua.
Ao longo dos tempos o melhor substrato que foi desenvolvido para as orquídeas parece que foi o Xaxim. Este que é extraído da planta “Dicksonia sellowiana” conhecida também por Samambaiaçu, Samambaiaçu-imperial, de tanto ser explorado pelo homem para várias utilizações quase foi extinto.
Com a resolução nº 278 de 24/05/2001 emitida pelo CONAMA, ficaram proibidos a extração e a comercialização de material derivado do xaxim.

Dicksonia Sellowiana

Porém com pessoas decididas a encontrar substrato alternativo, foram feitos muitos experimentos que deram certo, cada qual com tipos diferentes de orquídeas.
Assim hoje temos diversos substratos que não destroem nem agridem o meio ambiente.
Veremos mais adiante vários tipos de substratos que até agora foram usados por diversos cultivadores, uns com uma eficiência maior que outros, porém todos eles são uma alternativa de cultivo; Tudo vai depender do “complemento”, ou falando melhor, da “ajudazinha” que daremos com um pouco de adubo, água e dedicação.

Fique atento pois o uso de cada substrato vai depender do tipo de planta a ser cultivada e do clima.


Xaxim:

O xaxim é o melhor substrato encontrado até hoje para a maioria das orquídeas.
Em forma de pedaços ou desfibrado, sua eficiência é ótima.
     • Não possui substância tóxica para a planta.
     • Mantém o ph equilibrado.
     • Deixa as raízes bem aeradas.
     • Fixa bem a planta no vaso.
     • Retenção de água excelente mantendo bom nível de umidade sem enxarcar.
     • Duração média de 3 anos.
     • Boa retenção de nutrientes.
Existem produtores que estão plantando “xaxim” para corte, e são autorizados pelo governo. Estes já conseguem um crescimento bem rápido da planta devido a pesquisas laboratoriais avançadas.
Na falta do xaxim, teremos que com certeza fazer a união de dois ou mais substratos para que consigamos quem sabe chegar perto de sua eficiência.


xaxim em pedaço                                                          xaxim desfibrado


Esfagno:

Esfagno ou Sphagnum do Chile ou musgo, matéria de ótima retenção de umidade, porém com vida um pouco curta se usado com adubos orgânicos.
Bom para cultivo de mudas novas de orquideas (seedlings), porém o esfagno deve ser bem lavado para retirar sais que são prejudiciais às raízes das plantas.Deve ser substituído quando começar a se desfazer.
Muito bom como mistura em substrato que retém pouca umidade, mas a troca deve ser anual e aí a coisa começa a sair cara, não compensando a sua utilização.
Não é um substrato que sustenta a planta devidamente no vaso, então seu uso é um pouco restrito.
O esfagno é de extração proibida na beira dos rios, compre somente esfagno do Chile sêco (morto), que geralmente vem prensado.


Esfagno do Chile


Casca de pinus (Pinus elliotti):

Cascas de pinus em várias medidas granulométricas podem ser usadas, são bem aceitas por muitas orquídeas. Se forem retiradas da árvore não se esquecer de ferver, ou deixar de molho por 5 dias trocando a água todo dia, para retirar o tanino que é prejudicial as raízes, se for comprado normalmente já estão preparadas para uso.
O tempo médio de vida é de 1 ano ou pouco mais, devendo o cultivador ficar atento.



casca de pinus


Semente de açaí:

Deterioração rápida se colocado em vaso de plástico e exposto a chuvas constantes, mas um bom substrato, já que neste processo fornece nutrientes as raízes. Regula a acidez e mantém o substrato com bom nível de umidade, retém adubo e não é tóxico, também não contém tanino, porém tem que ser fervida para evitar possível brotação.


sementes de açaí
 
   
Piaçava:

Não foi muito usada, ainda está faltando estudos para comprovação da sua eficácia.
Existem relatos que em menos de um ano de uso, há o aparecimento de fungos que destroem a raiz da planta. Se usar tenha cautela.


Piaçava

 
Fibra de côco prensada ou Coxim:

Facilmente encontrado como: vasos, placas, fibras, bastões, cubos, etc..., durabilidade boa porém de custo um pouco alto.
É uma alternativa boa de cultivo, porém deve-se ficar atento a umidade que pode ser enganosa. A superfície fica rapidamente seca, porém o substrato mais profundo ainda continua úmido.
Conserva bem a acidez, mas é carente de nitrogênio, tome cuidado com o excesso de tanino.
Deixe de molho por 5 dias mais ou menos , trocando a água diariamente e para encerrar ferva-o.
Ao absorver a água, o coxim aumenta um pouco de tamanho e se expande, quando seca, volta ao seu tamanho original. Coloque os cubos de forma desarrumada e não socados em vasos, pois podem estourar.


coxim



fibra de côco

  
Casca de peroba:

Alta durabilidade, bem rugosa e retém pouca água. Por ser um substrato muito duro será preciso maior número de regas. Este tipo de substrato é muito bom para “walkerianas” e Oncidiuns por exemplo. Com esta casca, podem-se cultivar orquídeas na vertical, prendendo as placas de peroba em paredes ou telas.
Ótima para cultivo de walkerianas, nobilior e oncidiuns.

casca de peroba

Plaquinhas de madeira:

Placas de madeiras podem ser utilizadas para o plantio de orquídeas que aceitam bem este “substrato”.
São péssimas em retenção de umidade e adubo, porém é muito aceitável por vários tipos de orquídeas como walkeriana, bicolor, nobilior, etc.
Sempre utilize plaquinhas novas e de preferência deixe de molho e ferva-as antes de usar; Procure saber o tipo da madeira adquirida se não é prejudicial á cultura de orquídeas (tanino).
Cultivar neste tipo de substrato requer água e adubação constante, procure adubos em saquinhos que podem ser pendurados logo acima da planta, sendo adubada toda vez que você irrigar.

plaquinha de madeira

Nó-de-pinho:

Nó-de-pinho é o gomo que se forma na Araucária, retém pouca água e adubo, altíssima durabilidade, porém de difícil aquisição fora da área de cultivo da Araucária.
Requer água e adubação constante.


nó de pinho 
  
Casca de arroz carbonizada:

Ainda pouco usado, diz-se que retêm bem os nutrientes e adubos, evita formigas e fungos, porém é muito leve para fixar plantas.
Muito boa em aeração das raízes, e fica totalmente esterilizada depois de carbonizada.
Pode ser muito boa como enriquecedor de outros substratos inertes.
Não é muito boa na retenção de umidade, e ainda existem dificuldades de obtenção no mercado.
Caso for carbonizar em casa, cuidado para não queimar, apenas dourar em uma tonalidade forte.
Existem opiniões contrárias entre cultivadores prós e contra, para iniciante é melhor aguardar mais experiências.


casca de arroz carbonizada
 
 
Sabugo de milho:

Substrato pouco usado possui boa aeração e retenção de umidade. Não possui tanino e é poroso, facilitando a aderência das raízes. Deve ser carbonizado levemente antes de ser utilizado aumentando assim seu tempo de vida, caso contrário deteriora muito rápido.
Retire um pouco do miolo para aumentar a aeração.


sabugo de milho

 
Mistura de vários substratos (Mix):

Existem mix de vários substratos já prontos para uso, normalmente contendo uma mistura de casca de pínus, fibra de côco e carvão.

mix (fibra, carvão e pinus)


 
Substratos inertes
 
Cacos de telha, cacos de vaso de barro, pedra brita, seixos rolados, cascalhos, argila expandidas, isopor, carvão vegetal, são inertes e podem ser usados como auxiliares de drenagem nos vasos.
No caso de se usar como substrato principal, teremos que fazer regas e adubações frequentes com o risco de a planta definhar por falta de umidade e desnutrição.
Com o tempo podem acabar propiciando o aparecimento de fungos, sempre fervê-los antes do uso, ou colocar de molho em água sanitária (menos o isopor).
Nunca reaproveite material já usado por outro cultivo ou pedras coloridas artificialmente, o baixo custo e a facilidade em adquirir tornam-o muito atrativo.

Carvão vegetal:

Durabilidade média de 2 anos, sendo que começa a esfarelar. Muito bom em locais com alta umidade, a retenção de adubo é ineficiente e não é um bom fixador para a planta. Deve ser sempre usado carvão novo para plantio, o usado é prejudicial.
Utilizado como coadjuvante em outros substratos é muito bom.

carvão vegetal


Pedra brita:

Não possui teor nutritivo, deve ser adubado com freqüência.
Mantém pouca umidade, também retêm sais prejudiciais as pontas das raízes de algumas plantas.
É muito utilizada como material de drenagem em vasos de plástico, devido a sua fácil obtenção e baixíssimo custo.

pedra brita

Argila expandida:

Feito pequenas bolinhas de argila cozido, são normalmente utilizadas como dreno em vasos de plantas. Sendo de fácil obtenção no mercado, ela é leve, mantém boa umidade pois retém muita água (em locais úmidos pode apodrecer as raízes das plantas).
Requer boa adubação, pois é um substrato inerte, lave bem e ferva para que fique esterilizada.

argila expandida
   
Toquinhos de madeira:

Material que deve ser utilizado com cautela, verificar o tipo de madeira quanto a substâncias tóxicas para a planta. Ferver bem antes do uso devido a possível contaminação por fungos.
Substrato de secagem muito rápida deve ser utilizado de preferência em conjunto com outro de maior retenção de água.
Muito utilizado em plantas que requer secagem rápida e não podem ficar muito tempo com as raízes encharcadas.

toquinhos de madeira

Isopor:
 
Utilizado como dreno em vasos pesados devido ao seu peso levíssimo.
O melhor é o que vem em embalagens de eletrodoméstico, a planta se agarra bem nele e não proliferam fungos.
Pique em pedaços de tamanho razoável conforme o tamanho do vaso.
Não aconselhável como substrato principal devido a não reter umidade nem nutrientes, a adubação não fixa nele.

isopor

Cacos cerâmicos:

Devem ser usados somente se novos, sustentam muito bem a planta no vaso, conseguem reter uma quantidade boa de água.
Pode ser usado somente como drenagem, neste caso devido ao seu peso elevado, usar de preferência em vasos de plástico.
Não se esquecer da necessidade de adubação, pois este substrato é inerte.

caco de tijolo cerâmico
 
  **Antes do plantio, lave bem o substrato com água de torneira. Depois deixe-o de molho por no mínimo uma hora em solução de água sanitária a 25%, em seguida passar em água limpa para enxaguar.
Isto ajuda e eliminar excesso de tanino e matar fungos e bactérias.

  ** Uma vez por mês jogue água em abundancia no substrato para fazer a retirada de sais que ficam concentrados, estes são prejudiciais as plantas, principalmente as raísez que podem queimar.


 
Misturas que podemos fazer em casa


Mistura de secagem lenta para locais de umidade baixa:
Utiliza-se em vaso de plástico, Esfagno do Chile, Isopor, brita nº 0, casca de pinus fina, carvão em pedaços médio, chips de côco ou fibra de xaxim (caso encontre com venda autorizada pelo governo).

Mistura de secagem média para locais de umidade moderada:
Utiliza-se em vaso de barro, isopor, brita nº 0, casca de pinus média, carvão em pedaços médio, chips de côco ou fibra de xaxim (caso encontre com venda autorizada pelo governo).

Mistura de secagem rápida para locais com muita umidade:
Utiliza-se em vaso de barro ou caixetas, isopor em pedaços grandes, brita nº 1, casca de pinus grossa, carvão em pedaços médio, chips de côco ou fibra de xaxim de tamanho grande(caso encontre com venda autorizada pelo governo).

Mistura de secagem ultra rápida para locais com muita umidade e calor:
Toquinhos de madeira serrada, casca de peroba, cafeeiro, corticeira, etc.., utilizado sozinho ou em conjunto com o mix de secagem rápida.

Atenção: cuidados com novos substratos

Use e abuse fazendo misturas e experiências com os substratos acima.
Não tente descobrir substratos alternativos se você não tem experiência ou não é químico, pois a possibilidade de utilizar um substrato daninho à suas plantas é muito grande.
Deixe por enquanto os mais experientes fazerem os testes, e você como bom vivam só fica na cola desfrutando até ser um “expert” no assunto (a não ser que queira perder muitos exemplares por utilizar substratos errado).
Caso quiser fazer teste utilize uma plantinha bem baratinha, que se der errado o prejuízo é pequeno.

Falamos apenas dos substratos mais usados, com certeza há dezenas de outros mais que estão sendo usado, cada um com suas qualidades, e muitos mais serão descobertos.